Português Recém-Libertado Retoma Vida Formando Médicos Na Venezuela

O radiologista, que esteve preso desde 19 de julho de 2025, e foi libertado na noite de domingo, expressou profunda gratidão ao Governo de Portugal e recordou o momento especial em que pela primeira vez falou com a sua mulher, em 14 de janeiro.

“Como sou médico tenho [a missão] de fazer o bem, trabalhar com doentes. Aconteceu o que aconteceu e que ninguém esperava, agora vou regressar ao trabalho, dar aulas de pós-graduação a médicos em formação em radiologia e imagiologia”, disse à Lusa.

Manuel Enrique Ferreira começou por explicar que está “muito agradecido ao Governo português pelas atenções que estiveram a dar” ao seu caso e de outros lusodescendentes detidos, considerados presos políticos.

“Senti-me sempre muito acompanhado pelo Governo português e pelo Consulado. O senhor embaixador [João Pedro Fins do Lago] através da doutora Joana [Sousa Fialho, cônsul-geral de Portugal em Valência] fez-me chegar palavras de tranquilidade, de confiança e sobretudo de acompanhamento”, disse, precisando que após isso sentiu-se muito tranquilo e sobretudo com muita confiança.

O médico lusodescendente disse estar muito contente de estar em casa, e explicou que não via a família desde 19 de julho de 2025.

“Há sete meses que não via a minha mãe, os meus irmãos. Foi apenas a 14 de janeiro que pude falar com a minha mulher. Esse foi um dia muito importante e de muita inspiração espiritual, porque em [na cidade de] Barquisimeto, onde eu moro, é o dia da Divina Pastora, a nossa padroeira”, disse, sublinhando que “foi um milagre Dela [Divina Pastora] e de Nossa Senhora de Fátima”.

Dirigente, em duas ocasiões, do Centro Luso-Larense, de Barquisimeto, disse ainda estar muito orgulhoso das suas raízes e de ter tido a oportunidade de, naquele clube, transmitir o que aprendeu do pai: “a nossa cultura, tradições, comida e história”.

Filho de um madeirense que chegou à Venezuela em 1953, o médico disse ainda seguir atentamente o que acontece em Portugal e estar muito agradecido à imprensa portuguesa pela atenção dada à sua situação.

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