Sueco Faz História Ao Vencer a Maratona De Nova Iorque Sem Nunca Ter Corrido 42 Km Antes

Andreas Almgren protagonizou uma das histórias mais surpreendentes da Maratona de Nova Iorque. O atleta sueco, de 31 anos, venceu a prestigiada prova com um tempo de 2h06m01s, apesar de nunca ter corrido a distância de 42,195 quilómetros, nem sequer durante os treinos.

Campeão do mundo de meia maratona em setembro, Almgren preparou cuidadosamente a estreia numa prova desta dimensão. A escolha de Nova Iorque não foi por acaso. O percurso é conhecido por ser um dos mais exigentes e lentos entre as grandes maratonas, devido às várias subidas e descidas e à ausência de atletas encarregues de impor ritmos elevados ao longo da corrida.

Em vez de procurar um percurso mais rápido e plano, o sueco quis aproveitar essas características para fazer a diferença na fase final. A estratégia passou por acompanhar os principais candidatos durante grande parte da prova e guardar energia para acelerar nos últimos quilómetros. Foi precisamente o que aconteceu, conseguindo deixar para trás o italiano Yeman Crippa, vencedor da Maratona de Paris deste ano.

A vitória ganha ainda mais significado quando se conhece o percurso de superação de Almgren. Antes de se dedicar totalmente ao atletismo, tentou jogar futebol no AIK, mas acabou por abandonar devido às constantes lesões. Ao longo da carreira, enfrentou várias fraturas de stress no pé e no sacro, além de um problema numa canela que o afastou dos Jogos Olímpicos de Paris, onde deveria competir nos 5000 metros.

Para preparar a estreia em Nova Iorque, o atleta percorreu mais de 2000 quilómetros em apenas dez semanas de treino, incluindo três sessões com distâncias próximas dos 40 quilómetros. Também trabalhou a alimentação durante o esforço, habituando o organismo a consumir 120 gramas de hidratos de carbono por hora.

Havia, no entanto, uma incógnita que nenhum treino conseguia esclarecer: Almgren sabia que conseguia suportar uma hora de sofrimento físico, mas não tinha a certeza de como reagiria durante duas. A resposta chegou na meta, com uma vitória que o tornou no primeiro homem nascido na Europa a vencer a Maratona de Nova Iorque desde o italiano Giacomo Leone, em 1996.

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